sábado, março 19, 2005

A Moralidade que Liberta

A evolução da humanidade produz a substituição dos instintos e dos impulsos por uma vontade que procura a justiça, por uma vontade que se quer livre e que procura o bem. Por isso é que o direito, fruto da razão, só existe na sociedade humana.
O progresso e o desenvolvimento das sociedades e da vida humana, são fruto do espírito que, consciente do seu próprio fim, procura a justiça e o bem. A evolução mede-se pela virtude moral, porém, a existência, por si só, do direito é algo meramente formal, pois o seu valor reside no grau de aprofundamento das consciências individuais.
À medida que a consciência moral se aprofunda, as acções não são feitas por mero dever mas são guiadas por um querer profundo e íntimo da própria vontade. Não se trata de um mero respeito pela lei, nem de estar apenas em conformidade com ela, mas do querer fazer íntimo que resulta da sua vontade própria. Deste modo, a lei moral perde o carácter de obrigação e transforma-se em puro querer, pura liberdade.

18 comentários:

Laura Antunes disse...

Vamos acreditar que assim seja...Abraço Laura

R.Dart disse...

É mesmo preciso é acreditarmos e fazermos, senão estamos tão condenados como Sísifo e acorrentados como Prometeu.

PJG disse...

Este seu post é uma deliciosa provocação.

R.Dart disse...

Neste post trabalhamos em conjunto PJG ;)

LN disse...

Estranha mistura - entre Sísifo (que me lembraria também um poema de Torga) e Prometeu... Faltar, faltar, talvez a Pandora! Ou, pelo menos, o que tira do fundo da arca.
:)

R.Dart disse...

A mistura (ou a ausência dela) é uma delícia, e sim, adicionamos Pandora! Porque não? No fundo estamos cá todos a tentar abrir essa caixinha ;)

PJG disse...

Engraçado.Só agora reparei. A música do blogue é a «Comptine d'un autre été». Excelente gosto. Sou um grande fã da discografia - completa - do francês Yann Tiersen.

R.Dart, muito bem.

R.Dart disse...

Eu também, gosto mesmo muito. :)
Não tenho é muita bagagem musical.

Anónimo disse...

Não deixem de ouvir Yann Tiersen & Shannon Wright (2005). É arrepiante...

R.Dart disse...

Vou ver se já está disponível pelo Emule ;) Estou a ver que isto por aqui é só gente de bom gosto.
Fico contente pelos conselhos.
Obrigado.

Anónimo disse...

Emule - essa grande cooperativa. Um hino à Democracia, sim senhora.Quem tem dinheiro compra , quem não tem "saca" da net. Parece-me justo. Os direitos de autor que se danem!

Numa terra onde todos enchem a barriga com Camões e Camões morreu de fome! -foi mais ou menos isto que
disse Almada Negreiros.

De "sacar" cópias de livros, filmes, álbuns de música, programas para consumo próprio e familiar não me parece crime nenhum. O acto em sim, que me parece possível de censura, é aproveitar isso para vender cópias. Ai parece-me que começa a violação dos direitos de autor.

Mas há obras que não deixo escapar o original.

R.Dart disse...

É isso mesmo, quem pode pode, quem não pode "saca", até porque é permitido. Como bem disse, não é ilegal. Concerteza que tb não dispenso originais se estiverem ao meu alcance.

...

"Numa terra onde todos enchem a barriga com Camões e Camões morreu de fome! -foi mais ou menos isto que disse Almada Negreiros"

Isso quase me parece discurso político.
Bom, Camões pela minha mão seria privilegiado e ganharia pelo seu mérito.
...

PJG disse...

Digo-vos: no que se refere a canais Peer2Peer (tipo Emule, Kazza, Gnutella) a questão ainda é muito controversa nos E.U.A sobre se são programas que consubstanciam ilícitos criminais por violação de Direitos de Autor, ou não, isto é se se situam na fronteira da cópia privada.

Mas digo-vos mais: recentemente o Supremo dos E.U.A disse que tais tecnologias eram admissíveis (face à lei estadunidense, bastante mais restrita do que a europeia).No caso do programa «Gnutella» não havia infracção de Direitos de Autor. Um tribunal holandês já havia dito o mesmo muito antes.

Não esqueçamos que se está a por em causa lucros astronómicos da toda poderosa indústria discográfica. Sabem do que é feito a matéria-prima dos CD's? Sílica...isso mesmo, areia, o material mais pobre à face da terra.

Esta disputa nos E.U.A - que acompanho relativamente de perto por questões académicas - faz-me lembrar o caso da fotocopiadora na Alemanha: quando surgiu aquele revolucionário mecanismo um tribunal alemão proibiu a sua comercialização, declarando que violava direitos de autor. Hoje é difícil de acreditar...mas aconteceu.

Na minha opinião o anónimo tem toda a razão. Tudo o que seja cópia privada não viola direitos de autor, desde que não ocorra grave prejuízo económico para o autor.
Ainda está por provar se os programas peer2peer o fazem. Aliás, muito pelo contrário: há factos que demonstram que tais programas podem, inclusivamente, aumentar as vendas. Mas isso é outra história.

R.Dart disse...

Pois disso não percebo eu. Leio-vos apenas, e reflito.
E entretanto aproveito para "sacar" mais uma música ;)
Cumprimentos a todos!

Miguel Sousa disse...

se me disserem como saco livros tecnicos da net, dou-vos um doce e mando a ética ás urtigas eh eh eh..acabei de gastar 220 euros na bertrand..e tou só começando...irra

PJG disse...

Eu pessoalmente não "saco" livros -apesar de já o ter feito - pois gosto do manuseio da folha nova, da lombada, da capa, e de o ver a envelhecer. Fico até com alguma frustração em pedir livros emprestados, pois não me basta lê-los, eu quero é TÊ-LOS (inveja... que coisa feia).

Já "working papers" «saco» usualmente.
Caro Miguel, se quiser obter "working papers", que em português correspondem, de certa forma, a relatórios temáticos, respeitantes a teoria política, direito, filosofia, ambiente, sociologia, actualidades e tantas outras coisas mais, não deixe de consultar este endereço (http://www.politicaltheory.info/).

É altamente recomendável a sua junção aos "favoritos".
A partir daqui tem uma série de hipernexos para várias universidades, notícias, autores e toda uma panóplia de informação riquíssima.
Um local indispensável para acesso a informação altamente creditada, feita e dirigida por académicos e não académicos (só o site do Instituto Max Plank dá para perder umas boas duas horitas).
O único senão é a necessidade de se dominar bem o inglês.

Espero que goste.

Miguel Sousa disse...

Caro pjg, agradeço a informação que é de grande utilidade. Quanto ao gosto pelos livros, partilho-o, também não abdico...contudo ando ás voltas com um doutoramento e a fortuna que se gasta é grande e o ordenado não chego (coisa de pelintra eh eh eh). Estou pensando criar um blog só de bibliografia (comentada) de maneira a dar utilidade ao pouco que vou conhecendo

incomunidade disse...

Não esquecer a inscrição que o torturador pede à máquina da tortura, na Colónia Penal de Kafka: "Sede Justos"
poma fidiró