quarta-feira, março 09, 2005

Comunicação

Muitas vezes não entendemos o significado profundo das coisas porque as retiramos do seu contexto e não percebemos o simbolismo da linguagem.
Isabel Stilwell
in Notícias Magazine (2005.02.27)

6 comentários:

Beatriz Seabra disse...

este blog, fala de coisas pelas quais tenho interesse directo.
vou ficar assidua, já sei que vou...
a Isabel Stilwell é uma senhora que diz coisas muito sensatas, também gosto muito de a ler no magazine, e de a ouvir juntamente com o Eduardo Sá, na rádio, ao fim da tarde.
...e mesmo que se entenda o simbolismo da linguagem, cada um tem a sua interpretação...

até breve

R.Dart disse...

Olá Beatriz :)
Sim, todos temos o nosso referencial de valores, a nossa teia vivencial pela qual nos conduzimos, e é isso que nos dá substracto para as interpretações. A beleza disso é que todos somos únicos. Contudo, para que haja comunicação há um chamado lugar comum, que faz com que nos possamos entender. Suponho que era a isso que a Stilwell se referia, não deixar fugir demais o que nos permite ter interpretação comum. Mas concordo, mesmo assim, teremos sempre a nossa, desde que não alheada demais.
Bj*

Notas Soltas disse...

O simbolismo da linguagem... Bem, nem todas as pessoas estão cientes de que a linguagem simboliza apenas. Que o que realmente existe-sem ser símbolo-são os sentimentos, as emoções. Muitos, sem saberem, usam-se de um exagerado relativismo, até na linguagem, e porconseguinte, na interpretação também. A linguagem é o símbolo do Homem, a interpretaçaõ é o utensílio para a usarmos, não um fim em si.
Que pensas, Rosa?
Cuidado, não é?

R.Dart disse...

Sam, há várias teorias de linguagem bem como de hermenêutica, como bem sabes. Pessoalmente, gosto muito da de Gadamer cuja linguagem e o seu respectivo universo interpretativo culminariam numa fusão de horizontes. Há aqui, distintamente, a intenção do autor e a interpretação do leitor. Porém há o tal substracto comum que os une, a fusão de horizontes. Cada leitura é única, acrescenta-se-nos sempre algo de novo - pela razão a que te referes - por termos todos sentimentos diferentes. Mas não deixo de defender que haja um lugar comum não relativizado, aquele que nos permite comunicar.
Por exemplo, o círculo de Viena rejeita qualquer metafísica - consequência: A linguagem é o que é, vale por si sem interessar o background pessoal de cada um, é fim em si.
Defendo um equilíbrio entre o rigor das palavras (adequação ao contexto se for na oralidade, e uma exegese filológica se for na escrita) e o sentimento que se lhes incute - a procura do sentido do outro, através de si, mas em constante dialéctica, não é fechado - procura-se. É essa a diferença entre o simbolismo e o positivismo da linguagem. Cai em meio para um fim, o entendimento.

Anónimo disse...

Muito além do que vemos, ouvimos, ou sentimos podemos perceber linguagens no equilíbrio das coisas. A comunicação está muito além da língua falada ou escrita. Podemos sentir o mundo e reescrevê-lo através das palavras da alma.

rdart disse...

Concordo, mas sem a escrita ou a falada ficaríamos presos em nós mesmos. Basta pensarmos em alguém com uma doença do género da esclerose lateral amiotrófica. Ou seja, a pessoa mantem-se inteligente e consciente mas como é uma doença degenerativa dos músculos deixa de falar e escrever. Triste mas uma realidade a título de exemplo.