terça-feira, março 29, 2005

Ideias

Num debate ou explanação como é que se devem trocar ideias, pressupondo que não hajam verdades absolutas, mas sim algumas certezas científicas bem como outras teorias explicativas a considerar?

No caso do assunto ser rotineiro, fútil ou mesmo banal, a opinião (doxa) serve sempre para percebermos que somos todos diferentes, ou seja, não passando da mera opinião o máximo que podemos conseguir é a simpatia de alguns e a antipatia de outros, o que ultrapassando o plano pessoal não leva a mais nada sem ser o prazer duma conversa leve. A doxata só serve para marcar ponto e fazer conversa. Aqui não há grande exigência ou rigor na conversa. "Ganha" em caso de disputa, claro, o melhor orador. Quando não há disputa, "ganha" o mais simpático.
No caso do assunto ser sério e merecer mais esforço de reflexão, deveremos, se queremos esclarecer alguém, elevar o tom do discurso apelando e recorrendo a teorias explicativas e/ou científicas, como "bengalas" (como já vi chamarem)? Ou manter a opinião (doxa) esperando credibilidade sem argumentos?

É preciso não confundir o respeito que se deve ter pelo outro em toda a sua igualdade e individualidade - enquanto ser humano e pessoa com direitos - com as suas opiniões.

Todos erramos, mas nem todos sabemos reconhecê-lo.

7 comentários:

PJG disse...

Rosa, assino por baixo.

R.Dart disse...

Com os cumprimentos da casa ;)

carlos disse...

Estimada Filósofa,

... duas "doxas" contra as suas bengalas:

a primeira chama-se "Common Sense" e foi um panfleto escrito por Thomas Paine em 1776 ... a segunda foi escrita por este seu criado agora mesmo: é esquecendo o centro que se acerta no alvo.

...não leve a mal a provocação ;)

R.Dart disse...

Claro que não levo :)

A primeira entendo-a e apelo ou espero sempre por ele, mas sabe Carlos, onde é que o "common-sense" anda hoje em dia? Onde tudo é relativo à cultura/educação/idade e subjectivo à individualidade (passo o pleonasmo)? Onde está o substracto de boa fé apelidado de bom-senso ou senso-comum? Ainda nos entendemos apenas pela linguagem, pela língua, pela empatia, ou é preciso mais já?
Eu quero crer que sim, mas acho que o "common sense" passou a estar no patamar da tolerância passiva. Desde que se perdeu a confiança de acreditar na palavra do outro que se perdeu muito.
É doxa mas era "bengala" aceite, e se a perdemos foi porque não a cuidámos.

A segunda parece-me dúbia mas há mesmo estrabismos sortudos que comprovam a sua teoria ;)

I Rest my case :)*

R.Dart disse...

Eu gosto de doxas, são elas que nos faziam, pela confiança e respeitinho.
Mas também gosto de bengalas, e gosto ainda mais do equilíbrio e adequação entre as duas.*

Lídia disse...

Eu cá por mim gosto mesmo é de uma boa conversa. Daquelas que esquecem o tal centro e mesmo assim conseguem acertar em todos os alvos. Quanto mais genuína, melhor! E isso, no meu entender, é inversamente proporcional ao uso de bengalas e de doxas. Mas isto sou eu, que sou amante da tolerância, viciada na simplicidade e inimiga da passividade. Para a semana, amiga, havemos de ter algumas dessas!

R.Dart disse...

Linda, essa boa conversa a que te referes vem mesmo do gosto e da genuinidade, do aceitar a alteridade. E sim, temo-la e conseguimo-la por "n" razões.
Mas e quando não acontece com outros? É que não estou a falar de amizades ou simpatias. Doxa é opinião, e dá-se em qualquer lado e por variadíssimas razões incluindo nas boas conversas, mas se lhe falta a genuinidade e o respeito, até porque aqui para muitos, o outro é um ecrãn, em que ficamos?
Eu por mim subscrevo-te, mantenho a boa fé porque não estamos cá para provar nada a ninguém.

Até para a semana amiga!