sexta-feira, abril 22, 2005

As Bases da Sociedade

"Politicamente falando, não há mais do que um princípio - a soberania do homem sobre si mesmo. Essa soberania de mim e sobre mim chama-se Liberdade. Onde duas ou mais destas soberanias se associam principia o Estado. Nesta asssociação, porém, não se dá abdicação de qualidade nenhuma. Cada soberania concede certa quantidade de si mesma para formar o direito comum, quantidade que não é maior para uns do que para os outros. Esta identidade de concessão que cada um faz a todos chama-se Igualdade. O direito comum não é mais do que a protecção de todos dividida pelo direito de cada um. Esta protecção de todos sobre cada um chama-se Fraternidade. O ponto de intersecção de todas estas soberanias que se agregam chama-se Sociedade.
Ora, sendo essa intersecção uma junção, por consequência esse ponto é um nó. Daqui vem o que nós chamamos laço social. Dizem alguns «contrato social», o que vem a ser o mesmo, visto que a palavra contrato é etimologicamanete formada com a ideia de laço. Vejamos agora o que é a igualdade, pois se a liberdade é o cume, a igualdade é a base. A igualdade, cidadãos, não é o nivelamento de toda a vegetação; uma sociedade de grandes cânulas de erva e pequenos carvalhos; um tecido de invejas; é, civilmente, a admissão de todas as aptidões; politicamente, o mesmo peso para todos os votos."

Victor Hugo, in Os Miseráveis
Via O Ser e o Nada

4 comentários:

carlos disse...

O socialismo romântico de Hugo foi metido na gaveta do Liberalismo.

R.Dart disse...

E o Liberalismo pela libertinagem. hehe.

Miguel Sousa disse...

victor hugo, podia ser um idolo para mim...lindo

Vasco Macieira disse...

Boa síntese do que significa o contrato social; o sacrifício do bem individual em prol do maior bem, do bem colectivo. No entanto, entrevê-se já aqui o cinismo em que viriam a descambar as democracias modernas, sob a égide eufemística da pseudo representatividade. Prefiro pensar que sou ainda mais livre do que isto. E porque acredito... sou! Beijos Rosa.