sábado, dezembro 04, 2004

Conceito # 5 - Liberdade

Liberdade

Liberdade, do latim libertas, é marca específica do homem, quer isto dizer que só o homem, enquanto ser espiritual, de razão e de vontade é capaz de liberdade, só ele é capaz de ser princípio da sua acção e de propor fins para o seu agir, pois os demais seres não agem, reagem.
A liberdade surge em sequência da autonomia da vontade humana e do carácter personalista vincado na afirmação de que só a pessoa constitui um fim em si mesmo e só ela possui um valor incondicionado.
É através da consciência moral que o homem reconhece o sentido do bem, através da liberdade que reconhece o poder que tem de o realizar e através da responsabilidade que reconhece o dever que tem de o promover.

4 comentários:

O Povo É Bom Tipo disse...

Pergunto, quais serão os limites da Liberdade? Qual a fronteira entre Liberdade e Anarquia?
Falas da "responsabilidade" e do "dever" que o homem tem de reconhecer o "sentido do bem", o que é certo, no entanto existem vários "sentidos do bem" e várias consciências morais. Não andará a Liberdade associada à noção de Verdade e existindo várias Verdades não existirão também várias Liberdades? E se existem várias Liberdades então corre-se o risco que não sejam compatíveis umas com as outras e portanto deixam de ser Liberdades para passarem a ser Vontades.

V. LEAL BARROS

R.Dart disse...

Mandei-te para o email, a resposta era tão grande que tive vergonha de "postá-la" aki... ;)
Beijinhos!

R.Dart disse...

Amigo V.B., os limites da Liberdade serão sempre os teus limites e a partir da altura que os tens, não és anárquico.
O termo anarquia é proveniente da política, do qual a sua significação seria o não-reconhecimento e recusa a qualquer autoridade – Deus ou o Estado, mas estende-se ao senso-comum para mostrar uma espécie de rebeldia pela aceitação de valores sociais ou institucionais. Não pode ser confundido com relativismo moral que é fruto dum pluralismo, aqui há valores, todos diferentes (várias consciências morais… ou não ;)) mas aceites pelos membros duma sociedade, há uma predisposição em aceitar-se o contrato social por parte destes membros.
A anarquia é a recusa de valores em comum e implica a não-aceitação de autoridade, logo nem sempre poderá haver tolerância numa sociedade anárquica visto que as pessoas se unem por laços, sejam de sangue, sociais, culturais ou de valores. Está muito na moda dizer que se é anarquista. Achas que há realmente alguém que não se identifique com nada e que não precise de estruturas comuns para viver? Se recusam a autoridade, por consequência, não a deveriam usar quando dá jeito.
Na anarquia realmente não há fronteiras, não há limites porque não se acredita em nada, acho que nem em si. Não creio que a pessoa possa ser autónoma porque ninguém vive só, e sendo assim, ser-se-á livre? Livre é aquele que sabe no que acredita, que sonha e que sabe que pode conseguir. A Liberdade é espiritual e alarga-te os horizontes quando a encontras, a anarquia só te traz o reconhecimento de que tens uma lei e uma liberdade sem poder. Isto sempre no sentido comum, no sentido político a anarquia é um estado de desordem que se dá quando o estado se dissolve (Rousseau) mas pode ser considerada como uma forma de governo ou constituição, em que a consciência pública ou privada, formada pelo desenvolvimento da ciência do direito, é suficiente para manter a ordem e garantir todas as liberdades (diz Proudhon).
As “várias verdades” são o maior problema das sociedades pluralistas e democráticas. Não há várias verdades, há várias aproximações a uma maior verdade considerando que ela seja o Bem, ou pelo menos o melhor para todos, o que forma sociedades relativistas.
Não nos regemos mais por uma razão universal, e para podermos viver neste mundo em comum tivemos que dar a volta a muitas coisas e uma delas foi o uso da tolerância, salvou-nos. Com todo o individualismo nascente, obviamente deixámos de nos preocupar com o Outro como deveríamos, foi-se o altruísmo das relações. Primeiro nós, depois o outro.
Isto amigo V., proporciona falta de consenso em opiniões, falta de respeito pelos outros, não há gastos de energia em se chegar ao melhor para todos, ao mais aceitável, há sim um egoísmo pelo nosso bem-estar. Há várias liberdades, sem dúvida, cada qual a sente à sua maneira e nessa relação temos que ser um pouco psicólogos para entendermos o outro e nos darmos bem, ou então usamos a tolerância, que significa aceitar o que não gostamos, para que haja paz. O maior problema é que é uma tolerância cinzenta, que não contribui para as relações humanas, mas sim que nos impede de andar à porrada. Deixamos “passar” para não nos metermos, até porque achamos que não temos responsabilidade sobre isto ou aquilo, quase que concordamos… e vai assim o mundo. Deve-se aceitar o outro como um igual e com a predisposição de fazer-se sempre tudo pelo melhor e para isso tem que haver diálogo e conhecimento.
Falaste-me em vontades, sim, é um dos problemas, andamos numa cultura da doxa, da opinião, em que a vontade comanda a verdade, leva-a para onde lhe dá jeito, para onde é útil, para os prazeres. A vontade de quê? Para quê? Para o que será bom ou para o que será útil? Para o efémero que amanhã desaparece. Não nos podemos refugiar mais na desculpa de que tudo é relativo porque não o é. Os problemas são relativos a qualquer coisa e as opiniões também mas as pessoas em si não são relativas, são como nós, sentem, sofrem, alegram-se... etc. Assim sendo, a minha esperança para que haja uma espécie de ética mundial, seja a forma como se vê e lida com o outro, dentro da maior humanidade possível. E quando digo isto, não me refiro a apenas respeitar os direitos humanos, o que já era muito bom, mas a mais, a fazermos uma revolta à nossa consciência, a autocriticarmo-nos e entendermos que para aceitarmos o outro na sua plenitude, implica bondade. A bondade não é também medida, mas temos que dar o nosso melhor, senão não melhoramos nada disto hoje e deixamos este mundo complicado para os nossos filhos. Tudo começa connosco e com essa vontade de querer melhor.

Franck disse...

Liberdade, indo de acordo a passagem "ser livre" é quando um individuo vive conforme os seus deveres e direitos,ser servo desta sociedade.