sexta-feira, maio 06, 2005

Primórdios da acção consciente

A descoberta da filosofia moral é já não uma moral vivida mas a sua descoberta, a moral refletida. A consciência da norma moral é reflectida tanto individualmente como socialmente. Começa-se a pensar sobre a legitimidade das normas e do reconhecimento da autoridade que as enuncia.
Anteriormente assentámos em momentos sucessivos para a formação da razão ética, agora assentamos na constituição de uma razão ética.
É com os sofistas que conhecemos pela primeira vez o relativismo moral, são eles que nos trazem o consensualismo ideal educativo, a formação espiritual consciente e com isso, o surgimento do racionalismo livre.
Os sofistas são um pouco mal vistos na história. Eram tidos por pessoas que queriam ensinar apenas a retórica sem se preocuparem com a verdade. Contudo, são os primeiros pedagogos, e foram eles que criaram as ciências da educação. Têm uma consciência clara que é possível determinar uma pessoa pela educação e são eles quem pensa num projecto educativo pela primeira vez (Trívio: gramática, retórica e dialéctica; Quadrívio: astronomia, geografia, música e matemática) o que antes não havia, e este mantém-se até ao fim da Idade Média.
Esta descoberta da filosofia moral envolve uma consciência da moral vivida, é já uma reflexão do vivido. Os modelos de moral estão implícitos nos textos mas ainda não abertamente ditos por absoluto. Explico: ainda que o produto da acção seja o mesmo, a natureza da acção é outra. Sendo reflectida, existe consciência da acção, apesar de não ser dito explícitamente, ou seja, o homem age racionalmente e é este modo de agir que legítima a acção.

"Qualquer projecto educativo é uma moral disfarçada"
Wunenburger [séc.XX].

3 comentários:

Vítor Leal Barros disse...

qualquer projecto educativo é um conjunto de escolhas em detrimentos de outras. e a escolha, a opção em si, em qualquer circunstância é sempre tendenciosa, mesmo que tomada em benefício de quem a vai usufruir.

R.Dart disse...

Pois é amigo. Não há é outra forma de se fazer isso. Não há soluções mágicas, temos que ir "arranhando" até encontrar o melhor caminho.

R.Dart disse...

No caso dos sofistas, a ideia deles era formar homens com boa retórica, que fossem persuasivos - bons políticos, a verdade não era importante. Para tal a educação era vocacionada para o Trívio.
Ao menos sabiam o que faziam e pensaram bem no que fizeram, independentemente do conteúdo, o meio e o fim foi atingido. Duvido sinceramente que hoje haja cabeças pensadoras que se sentem a pensar juntas, quais os objectivos da educação: se é ter emprego, se é saber falar, se é Saber mesmo alguma coisa. E só depois disso vocacionar os planos de estudos para o que se quer.
Acho que ultimamente só damos respostas ao mercado de trabalho... tratamos do rótulo da embalagem e o resto é mentira.*