sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Antero de Quental

Eu não conheço fisionomia mais difícil de desenhar, porque nunca vi natureza mais complexamente bem dotada. Se fosse possível desdobrar um homem, como quem desdobra os fios de um cabo, Antero de Quental dava alma para uma família inteira. É sabidamente um poeta na mais elevada expressão da palavra; mas ao mesmo tempo é a inteligência mais crítica, o instinto mais prático, a sagacidade mais lúcida, que eu conheço. É um poeta que sente, mas é um raciocínio que pensa. Pensa o que sente; sente o que pensa.

Oliveira Martins, prefácio d'As Tendências Gerais da Filosofia na Segunda Metade do Séc. XIX de Antero de Quental.

Eu acrescentaria ainda, que mais do que um poeta foi um filósofo inquietante. A sua hermenêutica vivencial está muito bem clarificada por Oliveira Martins, pensa o que sente e sente o que pensa. Nunca se atraiçoa e isso é sem dúvida o mais difícil.

3 comentários:

Miguel Sousa disse...

Agradeço o simpático comentário que deixou no meu blogue....e deixe-me lhe dizer (sem qualquer tipo de interesse de retribuição barata), que este texto está optimo.

Miguel Sousa disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Miguel Sousa disse...

Fico feliz que o meu humilde conselho a tivesse inspirado com tanta qualidade...Miguel